segunda-feira, 14 de junho de 2010

19 de Junho | WORKSHOP MERCADO DE MODA
Desafios e Oportunidades no estado.

Horário: 10h às 12h – 13 às 15h
Local: Laboratório de Moda – Faculdade Mauricio de Nassau
Endereço: Rua João Fernandes Vieira, 110 – Boa Vista.

Objetivos
Proporcionar através da experiência as várias faces que envolvem o mercado de moda local e como os profissionais podem se inserir e conhecer seus desafios e oportunidades.

Tópicos:

- Panorama Geral e histórico de mercado local

- Áreas de atuação / Segmentos

- Indústria Agreste: Características de produção / Identidade - - Dados

- Perfil dos Profissionais

- Necessidade de Profissionais

- Cases de indústrias

- Formação do Pólo e posicionamento

Orientação Profissional:

Leopoldo Nóbrega, consultor em Moda e Mercado e um dos profissionais mais atuantes no pólo de moda de Pernambuco. Estilista por opção é Formado em Administração e Marketing, atua como artista plástico, cenógrafo e designer de produtos para as indústrias de Jeans.

Responsável por várias coleções para magazines como Marisa, Riachuelo, TNG, Wall Mart e marcas locais. É Editor de Moda e Consultor da Revista Moda agreste, fundador e coordenador da Câmara dos profissionais de moda da ACIC e recentemente assinou consultoria técnica, direção de arte e Curadoria do Festival do Jeans de Toritama, direção de arte para vários shows e especiais para Rede Globo NE.

Um profissional multimídia dedicado a construção da identidade da moda em Pernambuco através da vertente artística e cultural em sintonia com o mercado.

Número de Vagas: 30
Investimento R$ 100,00
* Alunos da Mauricio de Nassau terão desconto de 20% na inscrição.

Forma de Pagamento:

1. Na secretaria da Faculdade Mauricio de Nassau, Rua Fernandes Vieira 110 – Boa Vista, Recife – Coordenação de Moda e Estilo

2. Deposito Bancário
Banco Real / Santander
Ag 1003
Conta 220.188.97 – 3
Beneficiário: Leonardo Brunno Gomes Luna

Cpf 028.416.644-81

Informações:

ModaMercado – Rede de Profissionais de Moda
[81] 3031.7259 [81] 9255.4044

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Meu look para o Concurso LYCRA® Future Desgners



A inspiração para a criação deste look partiu da minha observação das mulheres nordestinas, que são delicadas e ao mesmo tempo fortes, assim como o denim, que é robusto e resistente, mas pode ser suave, pela sua cor, o azul, que nos traz a delicadeza e a feminilidade à mente.
O shape é moderno e feminino, num vestido com traços de uma deusa grega e da flor tulipa, que com a densidade do jeans fica estruturado e contemporâneo, vestindo bem uma mulher moderna para várias ocasiões.

domingo, 16 de maio de 2010

Eu etiqueta

Em minha calça está grudado um nome

Que não é meu de batismo ou de cartório

Um nome... estranho

Meu blusão traz lembrete de bebida

Que jamais pus na boca, nessa vida,

Em minha camiseta, a marca de cigarro

Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos

Que nunca experimentei

Mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

De alguma coisa não provada

Por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

Minha gravata e cinto e escova e pente,

Meu copo, minha xícara,

Minha toalha de banho e sabonete,

Meu isso, meu aquilo.

Desde a cabeça ao bico dos sapatos,

São mensagens,

Letras falantes,

Gritos visuais,

Ordens de uso, abuso, reincidências.

Costume, hábito, premência,

Indispensabilidade,

E fazem de mim homem-anúncio itinerante,

Escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

Seja negar minha identidade,

Trocá-lo por mil, açambarcando

Todas as marcas registradas,

Todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

Eu que antes era e me sabia

Tão diverso de outros, tão mim mesmo,

Ser pensante sentinte e solitário

Com outros seres diversos e conscientes

De sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio

Ora vulgar ora bizarro.

Em língua nacional ou em qualquer língua

(Qualquer, principalmente.)

E nisto me comprazo, tiro glória

De minha anulação.

Não sou - vê lá - anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

Para anunciar, para vender

Em bares festas praias pérgulas piscinas,

E bem à vista exibo esta etiqueta

Global no corpo que desiste

De ser veste e sandália de uma essência

Tão viva, independente,

Que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

Minhas idiossincrasias tão pessoais,

Tão minhas que no rosto se espelhavam

E cada gesto, cada olhar,

Cada vinco da roupa

Sou gravado de forma universal,

Saio da estamparia, não de casa,

Da vitrine me tiram, recolocam,

Objeto pulsante mas objeto

Que se oferece como signo de outros

Objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

De ser não eu, mar artigo industrial,

Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome noco é Coisa.

Eu sou a Coisa, coisamente.


(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 15 de maio de 2010

Uma antena parabólica enfiada na lama

Eu e a designer Magda Elisiário já estamos com todo o gás para o Projeto Passarela Feneart deste ano. Nossos looks já foram criados e estão na fase de produção.
O tema escolhido será: Ritmos Pernambucanos, e a Nassau ficou com o Mangue Beat. Para dar um gostinho, dêem uma olhada no nosso briefing de imagens e no release da mini-coleção.



Uma antena parabólica enfiada na lama

A inspiração para estes looks surgiu da nossa visão do Mangue Beat como um movimento genuinamente urbano, que agrega a modernidade com as raízes nordestinas tão presentes e sempre reafirmadas pelo povo pernambucano.
Como pessoas que vieram do Sudeste mas vivem no Nordeste, e amam esta terra, nossa visão desta cultura se expressa através de nossas criações de uma forma um pouco diferenciada, com grande ênfase no aspecto contemporâneo, mesmo tecnológico deste movimento.
A multiculturalidade é a chave que torna o Mangue Beat tão atraente aos olhos e ouvidos, enfim, às mentes dos rapazes e moças moderninhos das metrópoles do país, mangue boys e mangue girls antenados no que acontece no mundo, mas que não deixam suas bases regionais relegadas a um passado esquecido.
Os mestres deste movimento tiraram o pó dos ritmos tradicionais nordestinos como o maracatú, o coco de roda, o caboclinho, o cavalo marinho, dando-lhes um novo frescor, quando misturados ao pop, ao rock, ao rap e à música eletrônica num grande liquidificador chamado Recife. Um mix cultural inesquecível.

Nos looks foram usados elementos divertidos como os grandes óculos quadrados de Chico Science e as ondas vibratórias que saem das parabólicas (antenas parabólicas enfiadas na lama) bordadas em palha bem fininha, dando ideia de movimento e dinamismo.
Vestidos soltinhos com casacos sobrepostos foram utilizados, mas sempre fresquinhos, como pede o nosso clima, todos em algodão para que o conforto seja a prioridade.
O cinza aparece simbolizando o asfalto das metrópoles e a própria tecnologia, enquanto que o vermelho coral nos traz a energia e a vibração, quando mesclado com detalhes em verde realçando o contraste.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Super evento de noivas na Nassau

Ontem no campus CST da Faculdade Maurício de Nassau, houve um evento super charmoso sobre noivas, com 3 palestras incríveis, exposições de vestidos do estilista pernambucano Melk Z-Da na Vitrine Nassau, e um pocket desfile com dois vestidos criados pelas alunas de Design de Moda da faculdade usando materiais recicláveis como o pet e sacos plásticos. Tudo regado a prosecco e bolos especiais.






terça-feira, 6 de abril de 2010

Rude Boy

Gente, tô passada com o clipe novo da Rihanna, da música Rude Boy. Muuuuuita influência étnica africana mesmo... será a Copa do Mundo se aproximando???
Acho esses temas de Copa meio brochantes para criação, mas a Rihanna arrasou... amei!
Assistam o clipe AQUI.





quinta-feira, 25 de março de 2010

Vogue Curvy

Muito legal esta seção do site da Vogue, o Vogue Curvy sobre moda para pessoas fora do padrão estético (oi?) vigente...

Mark Fast
fall/winter 201111

Dêem uma olhada... vale muito.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

OS MANDAMENTOS DA CRIATIVIDADE

(texto tirado de uma edição de 2006 da Revista Vida Simples)


* afinidade: reserve um momento do dia só para você fazer algo que realmente goste

* jogo: mantenha um clima lúdico em suas relações pessoais e, se possível, em sua rotina diária

* desenvolvimento: nunca pare de buscar informação, leia livros e revistas, acesse a internet

* cultura: vivas as artes – vá ao cinema e ao teatro, passe a frequentar exposições

* liberdade: procure ser espontâneo, a liberdade criativa começa em sua maneira de encarar a vida

* inocência: lembre-se de como você era quando criança e recupere um pouco aquele espírito

* empatia: aprenda a olhar para si e para os outros, o afeto nutre a criatividade

* amor: nunca deixe de cultivar seus verdadeiros gostos e paixões, eles vão alimentá-lo sempre

* ação: sonhar é importante, projetar o futuro é essencial, mas fazer é muito mais

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cinema da Fundação

CINEMA DA FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO
Diretoria de Cultura - Rua Henrique Dias, 609, Derby
Fones: (81) 3073.6688, 3073.6689, 3073.6712 e 3073.6651
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) – R$ 4,00 (acima de 60 anos/estudantes)
Promoção | Diretoria de CulturaCinema




2ª Semana:

O Homem Que Engarrafava Nuvens
(Brasil, 2008) De Lírio Ferreira. Com Chico Buarque, Caetano Veloso, David Byrne. Documentário musical sobre a vida e a obra do compositor, advogado, deputado federal e criador das leis de direitos autorais, Humberto Teixeira, também conhecido como "O Doutor do Baião" pela autoria de clássicos populares como "Asa Branca". O filme acompanha sua filha, Denise Dummont, numa viagem em busca de aprender mais sobre o pai. Isso dá ao filme o toque pessoal e humano, casando com a condução livre e autoral de Ferreira (Baile Perfumado, Árido Movie). 128 min. / Tela Larga / 35mm / Dolby SR / Espaço Filmes



4ª Semana:

Deixa ela entrar
(Låt den Rätte Komma In, Suécia, 2008), de Tomas Alfredson. Com Kåre Hedebrant, Lina Leandersson.
Um maravilhoso filme sueco com um ponto de vista um tanto diferente para uma história de vampiros e adolescentes. Inteligente, lírico, ousado e adequadamente sangrento, Deixa Ela Entrar equilibra o melhor do cinema de gênero com a delicadeza das grandes histórias de amor. Sinopse: Oskar tem 12 anos e é um garoto ansioso, frágil e provocado pelos colegas. Com a chegada de Eli, uma garota séria e pálida da mesma idade, que se muda para a vizinhança com o pai, ele ganha uma amiga. 112 min. / 16 anos / em 35mm / Dolby SR / Tela Larga / Filmes da Mostra

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Texto Incrível de Adelaide Ivanova... para refletir em tempos de SPFW


ADELAIDE IVANOVA

“Bem que eu queria interagir mais, me envolver mais, mas o que eu gosto mesmo é de ficar olhando para elas”. Essa frase bem que podia ser minha, mas é Annie Leibovitz falando sobre as fotos que não faz de suas filhas. Eu vi a exposição retrospectiva dela, em Madrid, e me senti tão identificada com essa frase, pela minha não-vontade de perder tempo fazendo outra coisa que não seja olhar o homem que eu amo. Não se fotografa o infotografável (ainda que tenha fotógrafo que diga ser capaz de fazê-lo). Isso eu aprendi com Annie e com Armin.
Pela primeira vez na vida um ano chega ao fim e eu não penso “Graças a Jah, acabou”. É que eu sinto que o universo foi justo comigo, e eu só queria que 2009 se arrastasse mais um pouco (uns seis séculos a mais, talvez?).
E não quero dizer que só teve coisa boa. É que eu, afinal, consegui ver um balanço – quando uma coisa ruim acontecia, dava para ver para quê; quando uma coisa massa acontecia, dava para ver por quê. Pode não ter sido nada grandioso, talvez apenas eu tenha mudado.
Literalmente, ao menos. Comprei uma passagem barata que não dava direito nem a escolher o lugar no avião e fui dar um rolê bem hippie sujo nas Europa. Tirei três meses de licença maternidade pra dar de mamar a mim mesma e não levei nada além de um par de Havaianas, meia dúzia de vestido véio e uma câmera de filme. Não levei xampu e nem creme e, uma vez no Velho Mundo, viajei tudo de trem e ônibus, bem seventies (e até bicho-de-pé eu peguei).
Eu, que durante tanto tempo trabalhei com “as moda”, queria me desapegar das coisas que eu achava, antes, que não conseguia viver sem. Abri mão de sapato, da Kerastase e até da minha profissão. Decidi que eu não ia fotografar nada que realmente não fosse uma foto.
A gente clica tudo e depois não sabe nem onde ficava aquilo, nem por que fotografou. A gente fica com uma caixa de sapato – ou um HD – cheio de imagens que não dizem nada e que ninguém nunca mais vai ver, nem vai se importar.
E essa minha vontade ganhou fundamentação teórica (HA!) quando eu vi a exposição de Annie Leibovitz. Nunca iremos ver as fotos-com-o-coração que Annie faz de suas herdeirinhas. São lindas porque são escolhas.
Eu imitei Annie e segui fazendo isso toda minha a viagem. Tirando não-fotos que vocês nunca vão ver, mas que eu nunca vou esquecer dentro de uma caixa de sapato cheia de traça.
De quê adiantaria tirar foto de cada um dos meninos de Barcelona que eu vi? Só porque me dava vontade de aplaudir quando eles passavam? Na foto nunca viriam os palavrões que eles diziam, nem o cheiro dos bocadillos, nem o vento do Mediterrâneo. E eu ficaria frustrada por aquela foto não ter um terço do charme das minhas lembranças. E a culpa não é da fotografia – é da ganância que às vezes toma conta de um fotógrafo.
No mesmo dia que cheguei à Europa, conheci Armin. Ele redesenhou tudo que eu tinha planejado – para a viagem, para a vida. Nunca não-fotografei tanto alguém. Racionalmente, eu deveria ter clicado tudo, porque sabia que nos separaríamos. Mas preferi ficar como Annie: só olhando e olhando e olhando praquele menino existindo.
Quando voltei para São Paulo e revelei os filmes, uma parte abilolada de mim me martirizou por não ter mais fotos dele. Por dois segundos autoflagelativos, se arrependimento matasse, eu seria Susan Sontag.
No terceiro segundo, lembrei que conseguia saber exatamente porquê e quando eu fiz cada uma das fotos de Armin. E sabia dizer exatamente onde ficava aquela meia dúzia de imagens: in meinem Herz.
Falando em Herz, quando eu fui encontrar com ele na Alemanha, Berlim se preparava para celebrar os 20 anos da queda do muro. E lá eu descobri um monte de coisa sobre muros – os de verdade e os metafóricos.
O que pouca gente sabe (e eu também só descobri quando cheguei lá) é que die Mauer, na verdade, circundava a parte oeste da capital alemã. Mas era “os pessoal” do leste que não tinha liberdade (isso eu já sabia de antes, não sou tão burrinha assim).
Portanto, quando o muro foi derrubado, libertou não quem estava do lado de dentro dele, mas quem estava do lado de fora. I couldn’t help but wonder: “liberdade, portanto, é poder ir para dentro”. Só não me pergunte do quê, que eu ainda não sei.
Eu tive que percorrer 10 mil quilômetros para entender que meu lugar preferido no mundo não estava no Mapa Mundi. E, ao contrário do que eu mesma queria como desfecho desse texto, também não estava dentro de mim.
“A fotografia ganha um significado novo quando alguém morrer”. Isso é o que Annie diz a respeito das fotos que fez de Susan Sontag (com quem ela namorou por duzentos anos), quando esta estava doente. Eu, que já conto em dedos de duas mãos a quantidade de pessoas queridas que perdi nessa vida, digo que não é somente a relação com as fotos que você fez da pessoa morta (ainda viva!) que muda. É a relação com a pessoa como um todo. É tipo aquela moça sabida, Lygia Fagundes Telles, que diz que a memória é uma invenção.
E se a morte é a mãe da distância, e se a distância é mãe da memória, e se é nela que minha imaginação pode tocar o terror, abandono toda a sabedoria espiritual e assumo: meu lugar preferido no mundo não está dentro de mim. Está bem aqui, nesse porta-retrato, e tem 1,90 e cabelo comprido.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Clientela cresce pelo boca a boca

Com muito jogo de cintura e criatividade. É assim que o mercado de trabalho de personal stylist funciona em Pernambuco. Com o campo de atuação enxuto, já que a atividade não é muito conhecida na região, quem pensa em trabalhar na área precisa saber destacar-se e atrair a sua clientela. A personal stylist Jéssica Tavares, 37 anos, garantiu o seu diferencial com o curso de psicologia, que lhe ajudou (e muito) a entender e saber lidar com as pessoas. Hoje, Tavares é professora da Faculdade Maurício de Nassau e da Faculdade Senac e ainda atua como free lancer em planejamento de coleções e em consultora de moda particular.

"Passei minha infância convivendo com tias e avós que faziam roupas para fora, e me encantava a possibilidade de transformar panos em peças bonitas", lembra Jéssica, que se desiludiu da carreira em moda por não haver cursos na área. "Daí, fui cursar psicologia e mais tarde, quando fui morar em Paris (França), decidi que a moda era mesmo o caminho que queria seguir", conta. Na Cidade Luz, Tavaresfez especialização em marketing e gerenciamento de moda, na Modspé e aperfeiçoamento em estilismo e modelismo, na Esmod. Ainda para encrementar o currículo, fez desenho criativo na Saint Martins School, de Londres. "Mas estudar psicologia foi fundamental", ressalta.

Depois de realizar trabalhos para Judith Lacroix, Zappa e Sinequanone, Jéssica voltou ao Recife e hoje ensina psicossociologia da moda e linguagem gráfica, na Nassau, e planejamento de coleção e estilo, no Senac. Ainda como professora, realiza alguns cursos na área de personal stylist na Casa 208. Para o Guia de Profissões, Tavares conta um pouco da realidade desse profissional e alerta para importância de estar por dentro das tendências.

Que perfil o profissional desta área deve ter?

Tem que ter capacidade de observação e de escuta apurados, pontualidade, e muito senso de ética profissional. Por outro lado, além de gostar e conhecer moda, ele precisa ter bom gosto, senso estético, além de entender e estar atualizado em relação as tendências. Também é necessário saber de colorimetria (estudo das cores), entender um pouco de etiqueta e saber adotar as formas adequadas para cada tipo morfológico. Para trabalhar nesta área, ainda é preciso conhecer o comércio de roupas e acessórios local para a realização do personal shopping. E ter sensibilidade no trato com as pessoas, pois trabalhamos direta e indiretamente com a autoestima.

Como é o mercado de trabalho aqui em Pernambuco?

Considero que a publicidade em torno da profissão, alavancada por programas de televisão, como o Esquadrão da moda (exibido nos canais por assinatura), dentre outros, foi de importância fundamental para o crescimento da demanda por este tipo de serviço. A capacidade doprofissional em se adaptar a realidade econômica local e também do cliente que requisita o serviço é fundamental para se conseguir uma boa carteira de clientes, que geralmente se amplia pelo processo do "boca a boca" e pelo resultado do trabalho, que se for bem feito é imediatamente visível e desperta a curiosidade e o desejo em outras pessoas de realizar uma consultoria, ainda que de maneira pontual, para um evento, uma viagem ou uma entrevista de trabalho.

Quanto pode ganhar um personal stylist por cada trabalho ou por mês?

Depende bastante da demanda e dos ajustes que o profissional pode fazer em seus preços para oferecer um serviço mais completo possível, sem torná-lo inacessível. Realizar a consultoria por etapas ou em sistemas de pacotes podem ser duas boas opções. A hora de trabalho pode custar entre R$ 60 e R$ 150 (este último valor é mais praticado no Sul do país), mas cada profissional pode e deve repensar seus valores em função de sua habilidade, experiência e das possibilidades do cliente. Umaconsultoria completa pode custar entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil, a depender da quantidade de serviços prestados dentro da mesma e das horas necessárias para execução do trabalho.

Qual conselho daria para quem está querendo começarna profissão?

Procurar cursos e literatura sobre o assunto, treinar com parentes e amigos antes de partir para o público, saber vestir-se bem e andar sempre bem apresentável (você é seu próprio cartão de visitas), desenvolver a capacidade de observação e de escuta, pois um bom profissional não impõe um estilo ao cliente, mas deve saber como esta pessoa precisa e pode se vestir para as diversas ocasiões e ambientes e, sobretudo, para seu auto-conhecimento, sua valorização pessoal e bem-estar.

Serviço:

Jéssica Tavares - (81) 9186-2665

Matéria do Diário de Pernambuco

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Walter Smetak, alquimista dos sons

Por Andreas Kisser

Eu estava em uma unidade do SESC, em São Paulo, visitando uma exposição com a minha família e na saída fui dar uma olhada em uma pequena loja no saguão. Eu vi um livro que me chamou a atenção pelo título: "Walter Smetak: O Alquimista dos sons", de Marco Scarassatti (veja aqui). Comprei e fiquei maravilhado com a experiência de conhecer um pouco da obra deste gênio fantástico que, segundo ele mesmo, estava a cinquenta anos à frente de tudo. Realmente estava, talvez até muito mais do que cinquenta anos.

Anton Walter Smetak nasceu na Suíça, em 1913, e era filho de ciganos tchecos. O pai era músico e tocava cítara, primeiro intrumento de Smetak. Depois, ele trocou a cítara pelo piano, por causa de sua admiração por Bach e Beethoven, e em seguida ele foi para o violoncelo. Smetak teve formação clássica, uma educação tradicional europeia da década de 30, mas desde cedo já mostrava uma certa insatisfação com os formatos e leis da música. Sua curiosidade o levou a "dissecar" os instrumentos para descobrir os seus segredos sonoros, faltava às aulas para acompanhar e aprender o trabalho de luthier.

Smetak se destacava como violoncelista, mas o perigo da Segunda Guerra Mundial, que se aproximava da Europa, fez com que ele aceitasse o convite para vir ao Brasil e tocar na orquestra da Radio Farroupilha, de Porto Alegre. Mesmo mudando de país, a guerra ainda o perseguia. Smetak era constantemente confundido como um alemão, então ele resolveu sair dali e viajar o país tocando em vários estados em orquestras, até integrou a orquestra de Carmem Miranda durante um tempo.

Tempos depois ele teve uma misteriosa doença que quase morreu, quando se recuperou, mergulhou no mundo do misticismo, mais precisamente nos ensinamentos da Eubiose, que tem a proposta de unir fé e ciência, intuição e razão, na construção de um novo homem. Isso mudou seu rumo e foi nesta época que ele recebeu o convite para lecionar na Universidade Federal da Bahia, o terreno perfeito para a sua total evolução, em todos os aspectos.

Anton Walter Smetak inventava instrumentos, criou mais de 150, com cabaças, arames, partes de instrumentos quebrados ou o que ele encontrasse pela frente. Sempre reciclava o lixo que achava pela rua, todos eles com conceitos e influências "cósmicas", cheios de simbologia. Um dos instrumentos mais interessantes que Smetak inventou é a máquina do silêncio. Sua intenção era reproduzir o som do silêncio, sons que nós humanos ainda não somos capazes de perceber na natureza.

Ele também era escultor, escritor, compositor, filósofo, louco, gênio! Um Leonardo Da Vinci tropical. Alíás, ele foi uma das principais referências do Tropicalismo, sendo uma fonte muito importante para Tom Zé, Gilberto Gil e Caetano Veloso - que produziu o único álbum de Smetak, álbum homônimo, de 1973, que foi um fracasso comercial, apesar de ser um registro histórico espetacular. O grupo mineiro Uakti, que toca instrumentos feitos com tubos de PVC, também é influenciado pela magia de Smetak (veja aqui).

Smetak morreu em 1984, vítima de efizema pulmonar, consequência do abuso do tabaco. Morreu sozinho e decepcionado com o ser humano. Ele deixou uma infinidade de instrumentos, esculturas, livros, composições e peças de teatro. O seu acervo está deteriorando em Salvador, empacotado dentro de caixas em uma sala úmida, esperando que os herdeiros entrem em acordo sobre o destino de tudo. Uma pena que a ganância e a ignorância de muitas pessoas e autoridades privem a sociedade brasileira de aprender e admirar o legado deixado por este mestre.

Escutando sua música, tenho a impressão de que ele parece reproduzir o som dos planetas girando em torno do sol, o ruído da rotação da Terra, cometas passando ao longe, o som do nascimento de uma estrela ou o estrondo de uma colisão entre galáxias. Sons que ainda não percebemos e que Walter Smatek pode ter nos mostrado em primeira mão.

Deixo aqui um link de um pequeno documetário, com depoimentos do próprio Smatek, de familiares, amigos e admiradores (veja aqui eaqui). Deixo também algumas frases sensacionais, que fazem a gente refletir, são muito instigantes e inspiradoras:

"O fim da fala ainda não é o início do silêncio"

"Falar sobre música é uma besteira, mas executá-la é uma loucura"

"O que aconteceu talvez é que me interessa muito mais o mistério dos sons que o da música. Tenho procurado diferenciar claramente o fazer som, um meio de despertar novas faculdades da percepção mental, e o fazer música, apenas um acalento para velhas faculdades da consciência."

"Creio que só a loucura poderá salvar o homem, a loucura santa"

Abraço, play it loud!!!

Andreas